A grande encruzilhada monetária

Fed está behind the curve, tentando terminar o quantitative easing, lidando com inflação e perspectivas de recessão. Ao mesmo tempo.

29/04/2022
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Jerome Powell encontra-se em uma das maiores encruzilhadas monetárias já enfrentadas. Sua principal ferramenta de atuação parece não ser adequada para lidar com pressões inflacionárias.

Os efeitos das políticas públicas durante a pandemia, o movimento de desglobalização e o conflito na Europa geram ondas de choque externas que atingem diretamente a economia americana e pressionam preços de bens de consumo.

Lock-downs geraram congestionamentos logísticos. As cadeias produtivas globais têm atrasos de produção, diminuindo a oferta de produtos. Sanções diminuem oferta de energia barata. Fábricas incentivadas por um movimento de desglobalização mudam-se para países onde a mão-de-obra é mais cara. Regiões produtoras de fertilizantes estão em guerra pressionando preço dos alimentos. Pleno emprego pressiona os salários. Sanções e problemas de suprimento geraram escassez de chips e semicondutores. Commodities continuam subindo junto com os custos de matérias primas de tudo que é produzido ou construído.

Em suas falas, Powell é enfático em dizer que os EUA sofrem de pressões inflacionárias de oferta. Mas sua principal ferramenta monetária, o controle dos juros, é fundamentalmente uma arma contra a demanda interna.

Subir juros para forçar uma desaceleração da economia americana pode levar à uma recessão. Ser paciente com a inflação pode alimentar maiores expectativas de inflação e agravar o cenário de altas de preços. Enquanto tudo isso acontece, o FED continua atrás da curva ansiosamente esperando o trem da inflação passar.