Alta dos setores defensivos revela cautela dos investidores
Em meio à queda generalizada da bolsa, estudo revela quais setores resistiram à agosto.
O último mês foi marcado pela turbulência na agenda política e aumento das incertezas. Além da instabilidade institucional, a crise hídrica e a imprevisibilidade sobre a política fiscal prejudicaram o desempenho da bolsa e deterioraram as expectativas do mercado. Nesse cenário, os setores defensivos como de energia e com exposição à exportações, como o industrial, terminaram o mês com valorização. Entre os setores com queda, o de saúde foi o que menos sofreu, revelando cautela do mercado sobre a recuperação da economia.
Resumo:
- Agosto foi um mês de revés para o mercado brasileiro, com desvalorização de 2,48% do Ibovespa.
- Apesar disso, os setores de saúde e energia foram bastante resilientes e terminaram o mês com desempenho superior ao mercado. Os índices setoriais de Ações Energia e Ações Saúde, calculados pela Teva, renderam 2,07% e -0,64%, respectivamente.
- A resistência destes grupos indica uma movimentação dos investidores para setores mais defensivos. A realocação revela a cautela do mercado sobre a recuperação econômica.
Economia continua crescendo, mas desacelera
Agosto foi um mês marcado pela deterioração das expectativas e redução do ritmo de crescimento.
Ao longo do mês, a instabilidade política somada às incertezas sobre a recuperação econômica fizeram as projeções do mercado piorarem.
De acordo com os dados publicados no boletim Focus¹, a previsão de crescimento retraiu 0,08 p.p desde o início do mês e a expectativa de inflação saltou 0,48 p.p.
Evolução das expectativas de mercado

Mercado de ações reforça desaceleração
Segundo mês seguido de retração confirma tendência de queda.
Depois de acumular uma alta de mais de 63% entre abril e dezembro de 2020, a bolsa brasileira começou a contabilizar os riscos e incertezas sobre a recuperação da crise econômica.
Retorno dos setores selecionados em agosto

Mudança no sentimento do mercado beneficia setores defensivos
Enquanto o índice Amplo desvalorizou 2,83% no mês, os índices Teva de Ações Energia e Saúde renderam 2,07% e -0,64%, respectivamente.
A performance dos setores mais defensivos mostram uma rotação de alocação. Em momentos de desaquecimento da economia e piora das expectativas, setores como saúde e energia tendem a ganhar força, afinal, são gêneros de consumos menos sensíveis a ciclos econômicos.
Retorno mensal do índice de Ações Amplo

Destaques negativos para o setor de comércio e construção civil
Os Índice de Ações Comércio e Índice de Ações Construção Civil, calculados pela Teva, apresentaram forte desvalorização de 6,76% e 7,19% respectivamente.
Muito impactado pelas propostas de reforma tributária e pelo avanço da inflação e juros, o Índice de Ações Construção Civil, composto pelas construtoras e incorporadoras é o que mais sofre no ano, acumulando perda de 26,4%.
O Índice de Ações Comércio que inclui varejo geral e especializado, administração de shoppings, restaurantes, supermercados e atacados, também apresentou forte queda no mês de 6,8% e no ano de 11,6%.
Cemig e CPFL capitanearam o resultado do setor
A CEMIG acumulou alta de 14% no período enquanto a CPFL, valorizou mais de 13% após a empresa publicar forte resultado no segundo trimestre e 1,7 bilhões de reais em dividendos.
Hermes Pardini foi destaque no setor de saúde
A empresa reportou lucro líquido de R$ 70 milhões, um aumento de 906% em relação ao ano anterior.
Energia Integrada foi o principal segmento do setor de energia

Gestão Hospitalar e Seguros Varejo impulsionaram o desempenho do setor de saúde
