Recuperação lenta dos fundos imobiliários
Recuperação lenta e desigual do setor imobiliário abre oportunidade de investimento.
O Brasil completou mais de um ano e meio de pandemia e além da crise sanitária, uma grave crise econômica afetou os mercados. Na tentativa de conter o contágio do vírus, uma série de medidas foram adotadas, diminuindo a circulação de pessoas e restringindo o funcionamento do comércio. Neste sentido, a pandemia do Covid-19 impactou diretamente os fundos imobiliários.
Este relatório analisa o impacto e a recuperação destes fundos ao longo do último ano.
Resumo:
- Fundos imobiliários de papel foram mais resilientes no primeiro impacto da crise e também o segmento com recuperação mais rápida.
- Em 2020 o dividend yield dos fundos sofreu uma grande queda mas ao longo do primeiro semestre de 2021 parte dos rendimentos já voltaram aos patamares pré-crise.
- Segmento de Shopping deve acelerar recuperação conforme medidas de distanciamento social forem flexibilizadas.
- No geral, a maioria dos segmentos ainda não se recuperaram completamente, mostrando uma oportunidade de investimento no setor.
Fundos de investimento imobiliário de papel foram mais resilientes à crise
Ao analisar a performance do mercado por segmentos, os fundos de papéis se mostraram mais resilientes frente à pandemia: no acumulado de 2020, o Índice de FIIs de Papel, calculado pela Teva Indices, apresentou performance de -0,91%, contra -10,34% de rentabilidade do índice de FIIs Amplo. Entre os índices de segmentos imobiliários, Índice de FII Logística sofreu as menores perdas, de certa forma refletindo o aumento da penetração do e-commerce no varejo brasileiro e a mudança do comportamento do consumidor.
Entre os fundos de tijolo, os segmentos de lajes corporativas e shoppings foram os que mais sofreram. Parte da queda pode ser atribuída à adoção das medidas de distanciamento social: com o impedimento das operações e deterioração da saúde financeira dos inquilinos, a receita dos empreendimentos foi seriamente afetada.
Retorno em 2020

Além do impacto nos preços, em 2020 houve uma redução significativa do dividend yield dos fundos
Evolução do Dividend Yield: 2019 x 2020

Perdas do ano passado se mantiveram no primeiro semestre de 2021
Com exceção do Índice de Fundos Imobiliários de Papel, após um esboço de recuperação, a curva de infecção do coronavírus voltou a crescer expressivamente no começo de 2021 e ao longo do primeiro semestre o mercado de fundos imobiliários perdeu força.
Retorno no primeiro semestre de 2021

Dividend yields atrativos
No primeiro semestre de 2021 a maioria dos fundos já retornaram aos patamares pré-crise
A aceleração da inflação e aumento da taxa de juros, aliados às quedas de preços impulsionaram os dividend yields dos fundos no primeiro semestre de 2021.
Segmentos apresentam recuperação desigual
Enquanto os fundos de papel, lajes corporativas e logística distribuíram dividendos proporcionalmente iguais ou maiores do que em 2019, os segmentos de tijolo, híbrido e shoppings ainda estão aquém do desempenho de dois anos atrás.
Evolução do Dividend Yield: 2020 x 2021

Perspectivas do setor
Aceleração da inflação deve influenciar os fundos de papel
O primeiro semestre de 2021 foi marcado pela aceleração da inflação no Brasil. Durante os primeiros seis meses do ano, o índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) acumulou crescimento de 15,1%. Parte deste aumento pode ser refletido no índice de papéis, uma vez que parte dos ativos que compõem os portifólios são indexados ao índice de inflação e ao DI.
Fundos de papel e IGPM

Vacinação e recuperação econômica
Diminuição das restrições e retomada da economia são combustíveis para a recuperação do setor de shoppings
O setor de shoppings apresentou quedas de 21% e 8%, respectivamente, nas fases mais restritivas da pandemia.
Por outro lado, ao longo das fases menos restritivas o índice se valorizou 9,8%.
Índice de FIIs de Shoppings x Fases da pandemia

Oportunidades de crescimento
A recuperação continua lenta e desigual, abrindo espaço para valorização dos papéis mais afetados
No acumulado os fundos imobiliários ainda estão bastante descontados quando comparados aos pontos de máximo histórico, demonstrando espaço para valorização. O gráfico abaixo mostra a diferença entre os preços de fechamento do dia 30/08/2021 e os pontos de máximo histórico (ATH) de cada um dos segmentos.
Cotas em Ago/21 x ATH
